Talita Silva
Alguns meses atrás, comecei a refletir sobre o meu período de infância na igreja. Como muitos filhos de cristãos, cresci na igreja, mas nunca tive bons parâmetros em minha casa do que era o evangelho. Minha família era composta de muitos crentes de nome, mas praticamente nenhum por fé e convicção. Em outras palavras, eles eram regulares de teoria, mas nota 0 de prática. Apesar de passar praticamente toda a minha infância dentro da igreja, jamais havia conhecido a Deus quando pequena. Após o meu batismo, já com 12 anos, iniciei minha jornada em conhecer ao Senhor me deixar ser moldada por ele. Um período muito difícil da adolescência que perdurou por anos e ainda hoje, continuo nesta jornada, porque estamos sempre e sempre crescendo e amadurecendo com Deus.

Após pouco mais de 10 anos trabalhando no ministério infantil, percebi que essa realidade estava longe de ser só minha. Muitas crianças, mesmo tendo uma família acima de qualquer suspeita, não sabem o porque de estar na igreja. Não conhecem ao seu salvador e jamis foram apresentadas à simplicidade do evangelho. De fato, as crianças crescem com a sombra de um Deus tirano que castiga e pune, mas não conhecem o poder da liberdade que há no sangue de Cristo. Outras, por anos, são arrastadas para as salas de escola dominical deficientes que passam a vida a ensinar histórias do antigo testamento. Outras são empurradas para as salinhas para que seus pais possam "assistir" o culto sem interrupções e nada aprendem.

Ainda existem aquelas famílias que acreditam piamente que o simples fato de que seus filhos estejam fisicamente presentes na igreja os exime da responsabilidade da educação cristã em casa. Não oram com as crianças, não lhes ensinam a palavra e nem mesmo acham que isto seja preciso, afinal, ele está na igreja para que aprenda essas coisas.

Quando meu marido e eu assumimos o início de um trabalho com jovens em nossa igreja, comecei a refletir a este respeito, uma vez que 90% dos nossos jovens são filhos de cristãos. Filhos estes que, como eu, não passaram pelo impacto da experiência do "primeiro amor". Não tiveram a sensação da conversão e muitas vezes não compreendem o porque de serem diferentes dos demais jovens.

Acredito que essa classe de jovens seja o maior desafio espiritual para qualquer liderança. Estão na igreja por comodismo, não por amor. Não raras vezes, estão desmotivados, cansados e prestes a dar as costas ao evangelho que ainda não foi transformador para eles.

Se você é jovem e vive esta sensação, deixe-me te dizer, Deus é muito diferente de tudo aquilo que você já experimentou ou ouviu falar. Quando entendi a grandeza de Deus e o tamanho do seu amor, decidi entregar minha vida e meu coração a ele voluntariamente.

Que tamanho amor tem o Deus que pendurou cada estrelinha no seu lugar, que segura todo o universo na palma da mão e ainda assim, decidiu abrir mão de olhar as galáxias entre os dedos para descer a terra, tornar-se humano, limitado ao tempo, sujeito a dores, fome, angustias e tristezas que jamais havia experimentado, morrer na pior morte existente na época passando 6 horas pendurado entre a vida e a morte com o corpo todo dilacerado e praticamente sem pele pelas chicotadas, entregar-se nas mãos do Senhor e ressuscitar para dar a mim e a você a vida que era dele, tudo isso, sem te pedir NADA, NADA EM TROCA!

Acredite, ele te conhece melhor do que você mesmo. Ele te entende como ninguém jamais será capaz de compreender. Ele passou pelas nossas dúvidas, foi criança, foi adolescente, passou uma vida sem nenhum pecado, não por obrigação, mas porque escolheu assim. Para poder dizer a você todos os dias:

"EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ SENTINDO E NÃO IMPORTA COMO VOCÊ SE SINTA, EU TE AMO!"
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